Imagem da semana 02

Ainda na mesma linha da imagem da semana anterior, gostaria de falar um pouco mais dos últimos momentos que antecedem à entrada da noiva.

Como já comentei aqui outras vezes, gosto de não interferir e deixar as coisas acontecerem. Normalmente estou tão concentrado na luz que as imagens mais profundas surgem de momentos absolutamente imprevisíveis. Minha busca pessoal é pela sensibilidade, pela transformação da luz em sentimento.

Normalmente meu assistente fica responsável pelas fotos de sempre: o pai abrindo porta, o beijo na testa da noiva, os dois com o carro ao fundo e o que mais o cerimonial pedir. O que me inquieta é a suposta necessidade de fazer sempre igual. Certo dia enquanto fazia uma imagem linda do reflexo da igreja sobre o vidro do carro, tendo a noiva ao fundo, fui interrompido pelo cerimonial quase aos gritos: – cadê o fotógrafo que não está tirando o retrato do pezinho? Nessa hora a noiva parou de sorrir, abriu a porta e ficamos sem a foto, eu e os noivos.

Essa imagem foi capturada com uma Canon 5D MkII, objetiva Canon 24-70mm f/2.8, sem flash, ISO 3.200, 24mm, velocidade 1/80 e abertura f/7.1.

Normalmente fotografo no modo manual, pois gosto de ter o controle total sobre a exposição/profundidade de campo, mas neste caso específico, devido à inconstância de iluminação da equipe de filmagem, optei por configurá-la no modo prioridade de velocidade, TV, em 1/80. Aproveitei que a janela contrária estava aberta e busquei a captura da luz da filmagem no vestido e no véu. Ainda ganhei um belo contorno no rosto. Agradeço também ao cerimonial deste casamento, que, diferentemente do narrado acima, me deixou super à vontade para fotografar e possibilitou a captura de imagens belíssimas.

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Ensaios externos

Algumas pessoas vinham me cobrando a publicação das imagens dos chamados “books de praia”.

Quando escuto esse termo, book de praia, lembro imediatamente daqueles casais encostados num coqueiro do Beach Park, ela com aquele vestido estilo mulher-rendeira, do Mercado Central, e ele com um misto de pescador/pai-de-santo fazendo uma pose mirabolante ao lado de uma Sidra Cereser….

Perdoem a franqueza, mas acredito que esse modelo já deu o que tinha que dar. Muitas noivas que me procuram não querem mais ser fotografadas na praia por acharem que a gente vai fazer o mesmo estilo de foto.

A culpa não é do coqueiro ou do Beach Park mas, principalmente, dos fotógrafos que continuam a fotografar da mesma maneira, achando que é isso que as “noivinhas” querem. Houve um tempo que até umas cerimonialistas queriam ir junto, para fazer uma espécie de direção de fotografia… acreditam?

Confesso que, mesmo sendo averso a rótulos, às vezes uso o termo “book de praia” para me fazer entender em conversas aqui no escritório, uma vez que é a expressão mais usada aqui no Ceará. Afinal, a culpa também não é do termo, mas do uso que fizeram dele.


Imagem da semana

As pessoas mais próximas sabem que considero a fotografia de casamento a mais nobre de todas as áreas fotográficas. Acredito que a responsabilidade que o fotógrafo assume ao comprometer-se a registrar um casamento é imensa porque ele não lida apenas com equipamentos e técnicas de composição/iluminação, mas com a emoção e com o registro mais importante da vida de seu cliente.

É necessário, antes de tudo, sentir. Esta talvez seja minha principal preocupação, que me dá aquele friozinho na barriga antes do casamento. Já não me pergunto se vou saber utilizar corretamente a iluminação ou se a foto vai ficar corretamente focada e bem enquadrada. Com o tempo isto virou pressuposto. Minha busca é pelo sentimento, aquilo que não pode ser controlado ou ensaiado. Me pergunto a cada novo casamento se vou conseguir entender o que as pessoas estão sentindo, se vou captar suas emoções.

Preciso estar descansado e relaxado para fazer um bom trabalho. Amo o que faço e não vou fazê-lo por obrigação ou de forma burocrática. Por conta disso tenho fechado apenas um casamento por semana. Assim posso curtir cada um deles, entender suas diferenças, tratar pessoalmente as imagens e, sobretudo, me divertir. Sou muito feliz porque posso fazer o que mais gosto e ainda ganho bem para isso.


Esta imagem é um perfeito exemplo daquilo que é esquecido por muitos fotógrafos. Um dos principais elementos do imaginário das meninas quando se fala em casamento refere-se à entrada da noiva na igreja, com sua longa calda branca. É a realização de um sonho.

Na foto, mesmo sob condições adversas de iluminação, tentei unir elementos essenciais, como o longo véu, a noiva com o pai e a fachada da igreja. Coloquei a câmera no chão para que o véu fosse evidenciado. Tanto que o mesmo ocupou quase dois terços da imagem.

Deve ser ressaltada a presença do cerimonial, que saiu de perto da noiva na hora certa, para que fosse possível o registro. Em muitos casamentos não consigo fazer a foto porque as cerimonialistas ficam coladas na noiva o tempo inteiro. Mas isso é um outro assunto que pretendo abordar em breve.

Vale-refeição – A grosseria dos buffets de Fortaleza

Esses dias andei meio estressado com uns buffets.

Quem me conhece sabe que me empenho de corpo e alma nos casamentos que fotografo. Diferentemente de muitos colegas de profissão, vou pessoalmente ao making of e só vou embora depois dos noivos, isso quando não os acompanho até o local da noite de núpcias. Muitas vezes passo mais de 12 horas fotografando.

Durante este período normalmente não como nada, pois sempre há algo a ser fotografado. Só quando a fome aperta mesmo, sempre no final, faço um rodízio com o resto da equipe, na hora que não há nada de importante acontecendo: se forem três fotógrafos, por exemplo, um come enquanto dois ficam ligados na festa.

Que os garçons evitam servir refrigerante a água aos profissionais já estamos todos acostumados. Entretanto, nesta semana alguns fatos e notícias me deixaram triste:

1 – Num grande buffet, provavelmente o mais caro de Fortaleza, um conhecidíssimo fotógrafo foi barrado ao tentar se servir. Disseram a ele que seria servido à parte. Serviram então uma quentinha daquelas que servem em construção, provavelmente feita desde o almoço. Imaginemos a qualidade da comida.

2 – Neste mesmo buffet, enquanto fotografava fui avisado pelo cerimonial, também TOP, que havia um consommé – leia-se canja – para nós ao final da festa.

3 – Uma semana depois, numa também conhecida barraca de praia, mesmo depois do assunto ser abordado por mim em reunião com cerimonial e gerente de eventos, um colega da equipe de filmagem teve praticamente o prato arrancado da mão ao tentar alimentar-se quase duas da manhã. Registre-se que a noiva entrou com o dia ainda claro.

Considero mais que um desrespeito ao profissional, mas à própria condição humana, por tratar-se de um ato planejado puramente discriminatório a pessoas supostamente inferiorizadas. Até mesmo porque os buffets normalmente cobram pelos profissionais.

Fotografia e catupiry

Estava lendo na comunidade Noivas de Fortaleza, no Orkut, sobre postar ou não os valores dos contratos fechados. A princípio não vejo problema, mas lembrei que neste mês o evento que eu fechei com o valor mais alto custou cinco vezes o valor do mais baixo, por inúmeros motivos (tamanho da equipe, álbum, coberturas, etc).

Entendo a importância de ter uma base e acredito que a maioria delas queira saber os valores para este fim, mas é preciso ter cuidado para não transformar a realização de um sonho em commodities, pois quando o referencial passa a ser o preço a tendência é a homogeneização dos serviços por baixo.

Veio-me a cabeça um exemplo totalmente off: vcs sabem por que o catupiry de quase todas as pizarias e lanchonetes é o mesmo (sem gosto) salvo raríssimas exceções? Porque alguém colocou no mercado um preparado de requeijão com uma pasta de gordura vegetal e amido, bem mais barato, e os restaurantes passaram a comprar por causa da concorrência. Vcs podem ver lá no Macro, como nem vendem mais requeijão (catupiry), só esse preparado.

Outro exemplo é o dos monitores LCD: a Dell, última empresa que fabricava monitores com painel IPS (melhor) os tirou do mercado e agora só vende no Brasil o padrão TN (mais barato) porque aqui a gente olha primeiro o preço.

Voltando aos assuntos culinarísticos:  Filé mignon a R$ 15,00 – Barato!  Carne de pescoço a R$ 10,00 – Caro!

Eu ando pelejando pra vender filé. De vez em quando me aparece alguém dizendo: “[…] mas a fotos do fulano é só tantos reais […]”. Tento ser cortês e educado pra não dizer que quem vende foto é a AbaFilm e o Extra. Eu transformo sonhos em imagens.