Qual o melhor horário para as fotos?

Escolher o horário para as fotos externas, seja para casamentos ao ar livre ou para ensaios fotográficos, é uma dúvida muito comum.

Hoje recebi um e-mail de uma noiva preocupada com isso. Ela me pedia uma dica para o horário da cerimônia, pois tinha vontade de fazer algumas fotos, ainda com luz do dia, logo depois do casamento. Eis minha resposta:

Olá!!! O tempo de luz bonita para fotos é muito curto, tipo 50 minutos. No dia do seu casamento, amanhecerá em Fortaleza às 5:31 e o pôr do sol será às 17:34. O ocaso lunar será a 288º oeste às 11:28. (claro que pesquisei na net!)

Antes das 17h a luz ainda está muito dura, com raios de sol e sombras acentuadas; perto das 18h já não tem mais luz…

O ideal seria você escolher o que é mais importante para que seja fotografado entre 17 e 17:50. Esta é a hora mágica das fotos. Antes e depois deste horário também dá para fazer fotos boas, mas não com a mesma suavidade e profundidade de cores.

Sinto que seja muito corrido fazer toda a cerimônia e fotos de grupos com a luz do dia. Você iria sacrificar o mais importante, o casamento, com a luz ainda muito “dura” e ainda iria notar nas fotos dos padrinhos uma inconstância na iluminação do fundo das imagens, haja vista que a luz muda rapidamente nesse horário.

Se minha filha fosse casar, eu daria o seguintes conselhos:

1 – Coloque o convite para 16h. Os atrasos em casamentos à tarde são maiores que à noite. Sei que não precisa lembrar, mas disponibilize água aos convidados.
2 – Programe-se para entrar às 17h pontualmente. Antes disso a luz ainda não está perfeita e depois disso você pode sair no escuro.
3 – Converse com o celebrante para que a cerimônia seja rápida, sem muitos discursos e/ou participações especiais.
4 – O melhor horário para o beijo é 17:45 e a saída até 10 minutos depois.

Ufa!!! Desculpe se escrevi demais.

Conte sempre comigo!!!!!

Muitos outros fatores, além da melhor luz para a fotografia, são determinantes para a escolha do horário da cerimônia. Pense em todos eles.

Fabio Meireles 28fev15 Casamento Fernando de Noronha Roberta e Alessando net 27

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Fabio Meireles ensaio Emilia e Marcelo net

Imagem da semana 05

Já comentei várias vezes aqui no blog que evito rótulos, receitas ou fórmulas. Prefiro a busca da verdade, da simplicidade, com suas variações e exigências adaptativas. O termo “making of” é um bom exemplo, pois deveria ser sinônimo do registro de tudo aquilo que acontece nos bastidores, inclusive da preparação da noiva. Entretanto, o termo tornou-se tão popular que hoje em dia a quase totalidade dos colegas fotógrafos referem-se apenas à maquiagem da noiva no salão.

Gostaria de, sucintamente, colocar uns pontos que considero cruciais para as meninas que querem o registro da maquiagem no dia de seus casamentos.

Fortaleza não é mais aquela cidade de antigamente que se ia de um ponto a outro em quinze minutos. Hoje em dia leva-se até duas horas para percorrer poucos quilômetros. Então, escolha um lugar perto do local da cerimônia. Todos nós, inclusive as equipes de fotografia, estamos sujeitos aos efeitos do trânsito, com acidentes e congestionamentos.

Ainda com relação ao local, adoro quando a noiva escolhe um lugar diferente, pessoal, como uma casa ou um hotel, pois suas fotos serão únicas. Gosto muito de explorar a arquitetura, os detalhes e as luzes do lugar. Entretanto, se você prefere a garantia de um salão de beleza especializado em noivas, lembre-se de avisar o horário de chegada do fotógrafo, para que o salão se prepare e o deixe entrar na hora combinada.

Nesta foto, feita pelo meu sobrinho Marcelo Meireles, tentamos evidenciar o momento da maquiagem, mais preocupados com a sutileza do olhar do que com o mero registro da “pintura” do rosto. A imagem foi capturada com uma Canon 5DmkIII + Canon EF 50mm f/1.2 L USM, ISO 3.200, velocidade 1/320 e abertura f/2.2. Captura em RAW Adobe RGB e pequenos ajustes no Lightroom 4.1. Nada de manipulação ou Photoshop.

Imagem da semana 04

A primeira dança dos noivos é, no mundo inteiro, um dos acontecimentos mais aguardados do casamento. Independentemente da música escolhida, o importante para a fotografia é que seja íntima, verdadeira e marcante. Um momento mágico que precisa ser valorizado.

Minha preferência é sempre pela suavidade e simplicidade. Acho tocante quando o casal sente a música, quando se emociona no primeiro momento verdadeiramente íntimo depois da cerimônia.

É muito importante o planejamento da luz, para que haja sintonia entre o som e o imagem.

Esta foto foi feita de forma bem simples. Bastou esperar uma boa condição das luzes decorativas e a quantidade ideal de papéis. Me posicionei de forma a enquadrar corretamente os convidados ao fundo e contei com a colaboração dos noivos, que se concentraram na dança.

Fotografei com a Canon 5D Mark II + 85mm f/1.2L II. Optei pelo ISO 3.200 para não usar flash e para garantir uma boa relação abertura/velocidade. Optei pelo diafragma em f/2.0 por dois motivos: é uma das aberturas mais nítidas da objetiva e para diminuir ao máximo a profundidade de campo, sem perder o assunto. Para congelar os papéis usei 1/320 de velocidade (por isso a importância o ISO alto). Capturei em RAW Adobe RGB.

Aos fotógrafos iniciantes: fotografem no modo Manual, pois a peça mais importante da sua câmera é a que fica atrás dela: você.

Imagem da semana 03

Fábio! amei as fotos! de uma sensibilidade e visão indescritíveis! Pode se preparar que vão vir muito mais clientes por aí… todos amaram! Muito obrigada!!! Bjs em vc e na Angélica

Lívia Oliveira

A fotografia se mostra fascinante quando a gente consegue transformar a imaginação em imagem. Para isso é essencial que o fotógrafo tenha duas qualidades: a liberdade estética e a técnica fotográfica.

A liberdade estética é muito importante porque um bom fotógrafo não deve ficar preso a padrões. É essencial interpretar a luz, brincar com ela. Em todas as condições de iluminação é possível fazer uma boa foto, desde que você consiga ler o ambiente e descobrir qual foto deve ser feita. Acredito que a boa foto surge da luz, e não o contrário. Não devemos pensar na foto e depois ir atrás da luz necessária, mas ter sensibilidade para interpretar a iluminação disponível e descobrir uma boa utilização da mesma.

A técnica fotográfica também é essencial porque não basta ter imaginação e não saber executar a fotografia. O estudo deve ser cotidiano.

Esta imagem foi feita num dia absolutamente adverso. Muito calor, muita luz, muitas placas de sinalização…. quando a luz começou a melhorar tivemos que sair, pois local fecha às 17h. Mesmo assim, antes de ir embora vi que na sala, que já estava fechada, a luz interna era bem forte, por ser cercada de janelas de vidro. O casal ficou a uns dois metros da janela, de forma que a fotometria fosse a mesma do interior da sala. Minha intenção foi fazer uma fusão do reflexo do casal no vidro da janela com o ambiente interno da sala. Adorei a textura do tonel e dos demais elementos internos.

Utilizei uma Canon 5DMkII + Canon 85mm f/1.8 com a seguinte configuração: ISO 100, devido à grande intensidade de luz; 1/100 por ser uma velocidade segura em 85mm; abertura de f/2.2 porque queria desfocar o segundo plano mas não queria um DOF muito curto, ao ponto de perder o foco numa imagem tão confusa para o sensor. Capturei em RAW adobe RGB.

Fotógrafos iniciantes, fotografem no modo Manual, pois a peça mais importante da sua câmera é a que fica atrás dela: você.

Esses dias coloco mais umas fotinhas do ensaio. Obrigado Lívia e Leandro pela tarde alegre e divertida.

Por que as fotografias nos encantam?

Por que as fotografias são tão marcantes? Por que elas nos encantam? Por que ainda me emociono com elas?

Lendo um artigo do fotógrafo paulistano Fábio Laub, encontrei uma bela explicação: “fotografias não servem apenas para recordar, mas para reviver”.

Algumas imagens, mesmo esteticamente imperfeitas, nos fazem parar o olhar por algum tempo, como se houvesse algo a ser visto além do que foi retratado, como se o momento pudesse ser vivido novamente.

A fotografia é mais que um complemento da nossa memória, é talvez o mais belo e profundo registro do tempo, com todos os seus significados. Isso nos dá uma responsabilidade imensa, pois quem fotografa não registra apenas a luz, mas a vida das pessoas.

Hoje em dia as pessoas fotografam mais que nunca, graças às facilidades da fotografia digital. Isso tem favorecido o trabalho dos bons fotógrafos, que buscam uma linguagem própria, que procuram demonstrar sentimentos.

Photographier… c’est mettre sur la même ligne de mire… La tête, l’oeil et le coeur. – Henri Cartier-Bresson

Imagem da semana 02

Ainda na mesma linha da imagem da semana anterior, gostaria de falar um pouco mais dos últimos momentos que antecedem à entrada da noiva.

Como já comentei aqui outras vezes, gosto de não interferir e deixar as coisas acontecerem. Normalmente estou tão concentrado na luz que as imagens mais profundas surgem de momentos absolutamente imprevisíveis. Minha busca pessoal é pela sensibilidade, pela transformação da luz em sentimento.

Normalmente meu assistente fica responsável pelas fotos de sempre: o pai abrindo porta, o beijo na testa da noiva, os dois com o carro ao fundo e o que mais o cerimonial pedir. O que me inquieta é a suposta necessidade de fazer sempre igual. Certo dia enquanto fazia uma imagem linda do reflexo da igreja sobre o vidro do carro, tendo a noiva ao fundo, fui interrompido pelo cerimonial quase aos gritos: – cadê o fotógrafo que não está tirando o retrato do pezinho? Nessa hora a noiva parou de sorrir, abriu a porta e ficamos sem a foto, eu e os noivos.

Essa imagem foi capturada com uma Canon 5D MkII, objetiva Canon 24-70mm f/2.8, sem flash, ISO 3.200, 24mm, velocidade 1/80 e abertura f/7.1.

Normalmente fotografo no modo manual, pois gosto de ter o controle total sobre a exposição/profundidade de campo, mas neste caso específico, devido à inconstância de iluminação da equipe de filmagem, optei por configurá-la no modo prioridade de velocidade, TV, em 1/80. Aproveitei que a janela contrária estava aberta e busquei a captura da luz da filmagem no vestido e no véu. Ainda ganhei um belo contorno no rosto. Agradeço também ao cerimonial deste casamento, que, diferentemente do narrado acima, me deixou super à vontade para fotografar e possibilitou a captura de imagens belíssimas.

Ensaios externos

Algumas pessoas vinham me cobrando a publicação das imagens dos chamados “books de praia”.

Quando escuto esse termo, book de praia, lembro imediatamente daqueles casais encostados num coqueiro do Beach Park, ela com aquele vestido estilo mulher-rendeira, do Mercado Central, e ele com um misto de pescador/pai-de-santo fazendo uma pose mirabolante ao lado de uma Sidra Cereser….

Perdoem a franqueza, mas acredito que esse modelo já deu o que tinha que dar. Muitas noivas que me procuram não querem mais ser fotografadas na praia por acharem que a gente vai fazer o mesmo estilo de foto.

A culpa não é do coqueiro ou do Beach Park mas, principalmente, dos fotógrafos que continuam a fotografar da mesma maneira, achando que é isso que as “noivinhas” querem. Houve um tempo que até umas cerimonialistas queriam ir junto, para fazer uma espécie de direção de fotografia… acreditam?

Confesso que, mesmo sendo averso a rótulos, às vezes uso o termo “book de praia” para me fazer entender em conversas aqui no escritório, uma vez que é a expressão mais usada aqui no Ceará. Afinal, a culpa também não é do termo, mas do uso que fizeram dele.


Imagem da semana

As pessoas mais próximas sabem que considero a fotografia de casamento a mais nobre de todas as áreas fotográficas. Acredito que a responsabilidade que o fotógrafo assume ao comprometer-se a registrar um casamento é imensa porque ele não lida apenas com equipamentos e técnicas de composição/iluminação, mas com a emoção e com o registro mais importante da vida de seu cliente.

É necessário, antes de tudo, sentir. Esta talvez seja minha principal preocupação, que me dá aquele friozinho na barriga antes do casamento. Já não me pergunto se vou saber utilizar corretamente a iluminação ou se a foto vai ficar corretamente focada e bem enquadrada. Com o tempo isto virou pressuposto. Minha busca é pelo sentimento, aquilo que não pode ser controlado ou ensaiado. Me pergunto a cada novo casamento se vou conseguir entender o que as pessoas estão sentindo, se vou captar suas emoções.

Preciso estar descansado e relaxado para fazer um bom trabalho. Amo o que faço e não vou fazê-lo por obrigação ou de forma burocrática. Por conta disso tenho fechado apenas um casamento por semana. Assim posso curtir cada um deles, entender suas diferenças, tratar pessoalmente as imagens e, sobretudo, me divertir. Sou muito feliz porque posso fazer o que mais gosto e ainda ganho bem para isso.


Esta imagem é um perfeito exemplo daquilo que é esquecido por muitos fotógrafos. Um dos principais elementos do imaginário das meninas quando se fala em casamento refere-se à entrada da noiva na igreja, com sua longa calda branca. É a realização de um sonho.

Na foto, mesmo sob condições adversas de iluminação, tentei unir elementos essenciais, como o longo véu, a noiva com o pai e a fachada da igreja. Coloquei a câmera no chão para que o véu fosse evidenciado. Tanto que o mesmo ocupou quase dois terços da imagem.

Deve ser ressaltada a presença do cerimonial, que saiu de perto da noiva na hora certa, para que fosse possível o registro. Em muitos casamentos não consigo fazer a foto porque as cerimonialistas ficam coladas na noiva o tempo inteiro. Mas isso é um outro assunto que pretendo abordar em breve.

Vale-refeição – A grosseria dos buffets de Fortaleza

Esses dias andei meio estressado com uns buffets.

Quem me conhece sabe que me empenho de corpo e alma nos casamentos que fotografo. Diferentemente de muitos colegas de profissão, vou pessoalmente ao making of e só vou embora depois dos noivos, isso quando não os acompanho até o local da noite de núpcias. Muitas vezes passo mais de 12 horas fotografando.

Durante este período normalmente não como nada, pois sempre há algo a ser fotografado. Só quando a fome aperta mesmo, sempre no final, faço um rodízio com o resto da equipe, na hora que não há nada de importante acontecendo: se forem três fotógrafos, por exemplo, um come enquanto dois ficam ligados na festa.

Que os garçons evitam servir refrigerante a água aos profissionais já estamos todos acostumados. Entretanto, nesta semana alguns fatos e notícias me deixaram triste:

1 – Num grande buffet, provavelmente o mais caro de Fortaleza, um conhecidíssimo fotógrafo foi barrado ao tentar se servir. Disseram a ele que seria servido à parte. Serviram então uma quentinha daquelas que servem em construção, provavelmente feita desde o almoço. Imaginemos a qualidade da comida.

2 – Neste mesmo buffet, enquanto fotografava fui avisado pelo cerimonial, também TOP, que havia um consommé – leia-se canja – para nós ao final da festa.

3 – Uma semana depois, numa também conhecida barraca de praia, mesmo depois do assunto ser abordado por mim em reunião com cerimonial e gerente de eventos, um colega da equipe de filmagem teve praticamente o prato arrancado da mão ao tentar alimentar-se quase duas da manhã. Registre-se que a noiva entrou com o dia ainda claro.

Considero mais que um desrespeito ao profissional, mas à própria condição humana, por tratar-se de um ato planejado puramente discriminatório a pessoas supostamente inferiorizadas. Até mesmo porque os buffets normalmente cobram pelos profissionais.

Fotografia e catupiry

Estava lendo na comunidade Noivas de Fortaleza, no Orkut, sobre postar ou não os valores dos contratos fechados. A princípio não vejo problema, mas lembrei que neste mês o evento que eu fechei com o valor mais alto custou cinco vezes o valor do mais baixo, por inúmeros motivos (tamanho da equipe, álbum, coberturas, etc).

Entendo a importância de ter uma base e acredito que a maioria delas queira saber os valores para este fim, mas é preciso ter cuidado para não transformar a realização de um sonho em commodities, pois quando o referencial passa a ser o preço a tendência é a homogeneização dos serviços por baixo.

Veio-me a cabeça um exemplo totalmente off: vcs sabem por que o catupiry de quase todas as pizarias e lanchonetes é o mesmo (sem gosto) salvo raríssimas exceções? Porque alguém colocou no mercado um preparado de requeijão com uma pasta de gordura vegetal e amido, bem mais barato, e os restaurantes passaram a comprar por causa da concorrência. Vcs podem ver lá no Macro, como nem vendem mais requeijão (catupiry), só esse preparado.

Outro exemplo é o dos monitores LCD: a Dell, última empresa que fabricava monitores com painel IPS (melhor) os tirou do mercado e agora só vende no Brasil o padrão TN (mais barato) porque aqui a gente olha primeiro o preço.

Voltando aos assuntos culinarísticos:  Filé mignon a R$ 15,00 – Barato!  Carne de pescoço a R$ 10,00 – Caro!

Eu ando pelejando pra vender filé. De vez em quando me aparece alguém dizendo: “[…] mas a fotos do fulano é só tantos reais […]”. Tento ser cortês e educado pra não dizer que quem vende foto é a AbaFilm e o Extra. Eu transformo sonhos em imagens.